ANTI-OSTENTAÇÃO, JOIA DA SELEÇÃO SUB-17 DECOLOU PORQUE COLEGA FOI MAL NA ESCOLA

Leandrinho

Leandro, camisa 7 da Seleção Brasileira, antes da fama foi atleta das categorias de base das escolinhas ribeirão-clarenses de futebol e futsal

 

Golaço na estreia, jogador mais jovem a atuar e a marcar por uma tradicional equipe profissional, convocação e camisa 7 da seleção brasileira no Mundial Sub-17, contrato praticamente garantido com um clube europeu... E tudo isso antes de completar a maioridade. Já imaginou esse jogador?

Nos tempos de hoje até que seria normal pensar em um garoto com correntes e relógios de ouro, esbanjando um carrão e roupas de marca, mas esse não é Leandro. Revelação da Ponte Preta, o meia-atacante foge dos padrões atuais, chama atenção pela humildade e sequer possui um contrato profissional.

Acertado com a Udinese, da Itália, o jovem é uma das esperanças do Brasil no Mundial sub-17 - que entra em campo nesta quarta, por uma vaga nas quartas de final. Teria tudo para se tornar mais um jogador com rápida passagem para o Brasil, e que só seria notado após grandes atuações no futebol europeu, mas, a joia alvinegra não é um "boleiro típico". Com uma pitada de sorte, além de muito talento, um caso inusitado mudou seu destino.

Vindo do Ituano no começo de 2014, Leandro era reserva da equipe juvenil, mas ganhou uma oportunidade exatamente no dia que um coordenador das categorias de base da seleção brasileira foi acompanhar uma partida da Ponte Preta.

"Aconteceu em agosto do ano passado, no Campeonato Paulista Sub-17, contra o União Mogi. O Leandro estava no banco de reservas do juvenil, e o coordenador da seleção vinha para cá ver um jogador nosso que estava indo bem e, provavelmente, seria convocado", contou Elio Sizenando, técnico da Ponte Preta sub-17, ao ESPN.com.br.

"Só que esse menino estava indo mal na escola e o (Jorge) Parraga o cortou da equipe, já que aqui nós cobramos demais o desempenho nos estudos. O cara da seleção veio para ver aquele menino, que não jogou, mas o Leandro arrebentou e logo depois foi convocado", completou Elio.

Depois de um ótimo desempenho no Sul-Americano Sub-17, com direito a título e oito gols em oito jogos, Leandro ganhou uma oportunidade em um dos treinamentos do profissional da Ponte Preta. E não decepcionou.

Leandrinho gols

 

No mundial SUB-17 que acontece no Chile, Leandro já marcou 2 gols

 

"No começo do ano eu estava fazendo um estágio com Guto Ferreira no time principal da Ponte. Ele me pediu um atacante da base para completar o treino e levei o Leandro, que entrou. Acabou o treino, ele (Guto) olhou para minha cara e riu: ‘Perdeu o jogador hein (risos)"", disse Elio.

O treinador do Sub-17 ainda revelou uma cena inusitada com André Luiz, ex-zagueiro da seleção olímpica de 1984 e então auxiliar de Guto Ferreira. "Ele veio na direção do Guto com um celular na mão e falou assim: ‘Tira uma foto minha com o Leandro, porque esse aí vai ser um craque. Tira uma foto agora porque depois vai ser difícil, essa foto vai valer ouro"".

A fotografia ainda não vale ouro, mas caminha para isso. Treinando com os profissionais, era questão de tempo para ter uma chance de jogar. Na estreia, com apenas 16 anos, brilhou com um golaço na Copa do Brasil contra Moto Club. De lá para cá foram apenas seis jogos e mais um gol na Copa Sul-Americana.

Diferente da maioria dos jovens de sua idade, Leandro parece não ligar, ao menos por enquanto, para as coisas materiais. "Eu vejo que ele não tem tatuagem, brinco, não usa relógio grande, não pinta o cabelo, é um cara muito humilde. Ele é muito focado, não é deslumbrado, ele foge disso. Quando ele ganhou um patrocínio da adidas, ele não usava os produtos na frente dos outros meninos para não ficar se mostrando e não causar problemas. Isso quando, às vezes, não dava algumas coisas para eles", contou Elio.

Com muita velocidade e um controle de bola de dar inveja, Leandro é um dos destaques da seleção brasileira sub-17, que disputa o Mundial da categoria no Chile. Com dois gols em quatro jogos, ele estará novamente em campo nesta quarta-feira, quando a equipe enfrentará a Nova Zelândia em busca de uma vaga nas quartas de final.

Em outubro do ano que vem, quando fizer 18 anos, no entanto, deverá seguir o caminho de milhares de jovens brasileiros e se transferir para o futebol europeu. Lá, poderá até mudar de posição, jogar de centroavante, como foi testado e agradou em uma passagem de 15 dias pela Itália. A esperança é para que essa seja a única mudança no garoto que já conquista fora das quatro linhas e tem tudo para encantar o mundo com sua habilidade dentro delas.

 
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